A discussão sobre frames por segundo (FPS) voltou aos holofotes com a chegada das placas NVIDIA GeForce RTX 50 e AMD Radeon RX 9000. Tecnologias que multiplicam quadros por meio de inteligência artificial prometem saltos de desempenho, mas também reacendem dúvidas sobre estabilidade, latência e fidelidade visual.
O que é FPS e por que importa
FPS, sigla para “frames per second”, indica quantas imagens completas o sistema exibe em um segundo. Diferentemente do cinema, fixado em 24 FPS, os jogos precisam atualizar a cena em tempo real. Em 30 FPS, o jogo mostra 30 quadros por segundo; em 60 FPS, esse volume dobra, oferecendo maior fluidez. Jogadores competitivos perseguem 120, 144, 240 FPS ou mais para reduzir latência entre comando e resposta na tela.
Efeitos percebidos pelo jogador
Pesquisas do Worcester Polytechnic Institute com 33 participantes apontam que os 5% piores tempos de quadro pesam mais na satisfação que a média de FPS. Em março de 2025, um estudo da NVIDIA Research com 44 jogadores de tiro mostrou ganho objetivo de performance até 90 FPS; acima disso, as estatísticas estabilizam, mas a sensação de fluidez continua evoluindo até cerca de 500 FPS.
Já a Universidade Tecnológica de Dresden reforça que variações bruscas no frame time causam travamentos perceptíveis, mesmo quando a média de quadros é alta.
Por que a taxa de quadros cai
Os principais gargalos são:
- GPU saturada: placa opera perto de 100% com efeitos complexos;
- CPU limitada: processador não entrega dados à GPU com rapidez;
- Superaquecimento: componentes acima de 85-95 °C reduzem frequência automática (thermal throttling);
- Processos em segundo plano e drivers desatualizados.
Padrões atuais de desempenho
Em 2025, três faixas ficaram consolidadas:
- 30 FPS: aceitável em jogos narrativos;
- 60 FPS: referência para a maioria dos gêneros;
- 120-144 FPS: mínimo em e-sports, com profissionais indo além de 240 FPS em títulos como Counter-Strike 2 e Valorant.
Ascensão da geração de quadros por IA
O DLSS 4 foi apresentado em janeiro de 2025 com o recurso Multi Frame Generation, exclusivo para GPUs RTX 50. O sistema cria até três quadros artificiais entre dois reais, elevando a taxa final em até oito vezes. Em Cyberpunk 2077, uma RTX 5090 chega a 240 FPS em 4K com ray tracing completo.
A AMD respondeu com o FSR 3.1, compatível com várias marcas de placa de vídeo, dispensando hardware dedicado. Análises indicam latência ligeiramente menor no FSR, enquanto o DLSS mantém vantagem na qualidade de imagem.
Debate sobre “quadros falsos”
Críticos destacam que frames gerados por interpolação não incorporam entradas recentes do jogador, ampliando a defasagem entre comando e imagem. Um cálculo divulgado no Reddit aponta que, com três quadros artificiais, 75% das imagens exibidas não refletem inputs instantâneos, contra 50% na geração tradicional de um quadro.
Imagem: William R
Evolução das tecnologias de upscaling
– DLSS: versão inicial saiu em 2019; a 2.0 (abril de 2020) adotou acúmulo temporal; a 3.0 (setembro de 2022) trouxe Frame Generation; a 3.5 (setembro de 2023) incluiu Ray Reconstruction; a 4.0 (janeiro de 2025) estreou a arquitetura baseada em transformers, chegando a 540 jogos compatíveis até outubro de 2025.
– FSR: 1.0 (agosto de 2021) usava upscaling espacial; 2.0 (2022) passou a temporal; 3.0 (2023) adicionou interpolação; 3.1 (GDC 2024) permitiu combinar upscalers concorrentes; o FSR 4 estreou em 2025 com aprendizado de máquina.
– XeSS: entrou em 2022; a versão 2.0 (março de 2025) implementou geração de quadros com Xe Low Latency; a 2.1 (julho de 2025) abriu suporte a GPUs de outros fabricantes via Shader Model 6.4.
Outras frentes de otimização
No cloud gaming, sistemas de super-resolução aplicados no cliente ajudam a compensar compressão de vídeo. Técnicas clássicas, como Level of Detail, occlusion culling e otimização de shaders, seguem essenciais para manter 60 FPS ou mais em altas resoluções.
Combinando hardware recente, algoritmos de IA e boas práticas de desenvolvimento, a indústria busca entregar experiências cada vez mais fluidas, sem sacrificar qualidade visual nem tempo de resposta.
Com informações de Hardware.com.br

