Inversão do campo magnético: árvore milenar revela caos
Inversão do campo magnético da Terra há cerca de 42 mil anos expôs o planeta a radiação intensa, segundo um estudo que analisou os anéis de uma árvore kauri fossilizada encontrada na Nova Zelândia.
Árvore kauri registra 1.700 anos de instabilidade ambiental
Durante escavações para uma futura usina, operários descobriram um tronco de kauri preservado em perfeito estado. Os pesquisadores dataram o fóssil e constataram que ele viveu entre 41 e 42 mil anos atrás, justamente no período da excursão geomagnética de Laschamps – um “mini-reset” em que o norte e o sul magnéticos se trocaram temporariamente.
Com base nos 1.700 anéis de crescimento, a equipe liderada por Chris Turney mediu picos de C-14 – sinal de maior radiação cósmica atingindo a atmosfera quando o escudo magnético enfraqueceu. Esses dados permitiram montar uma linha do tempo precisa dos eventos, publicada na revista Science em 2021.
Modelo global aponta radiação UV e auroras em todo o planeta
Ao inserir as medições em modelos climáticos, os cientistas concluíram que a camada de ozônio se tornou frágil, elevando os níveis de radiação ultravioleta (UV). Auroras teriam iluminado latitudes tropicais, e tempestades elétricas fortes dominariam céus normalmente tranquilos.
Os autores, como Alan Cooper, sugerem que o chamado “Evento de Adams” pode ter influenciado desde a arte rupestre — possivelmente usada como abrigo e protetor solar natural — até extinções na megafauna da Austrália e o declínio dos neandertais. Outros especialistas, porém, pedem cautela: Chris Stringer, do Museu de História Natural de Londres, lembra que há indícios de neandertais sobrevivendo após esse intervalo.
Imagem: Ales
Embora inversões completas ocorram a cada ~780 mil anos, excursões curtas como Laschamps podem repetir-se em escalas menores. O rápido deslocamento atual do polo norte magnético gera debates sobre eventuais impactos modernos. Segundo matéria do G1, satélites e redes elétricas seriam as primeiras vítimas caso o campo colapse novamente.
O registro desta árvore milenar não só estreita o intervalo temporal da última instabilidade magnética como também funciona como alerta para a dependência tecnológica da sociedade contemporânea. Para acompanhar mais conteúdos sobre tecnologia e ciência aplicada ao seu dia a dia gamer, visite a página inicial do Games In e continue turbinando seu setup.
Crédito da imagem: Nelson Parker/Reprodução Fonte: Olhar Digital


