Lado oculto da Lua revela pista de impacto gigante
Lado oculto da Lua apresenta uma assinatura química inédita que confirma um impacto colossal ocorrido há 4,3 bilhões de anos, segundo estudo publicado na revista PNAS. A diferença na proporção dos isótopos potássio-41 e potássio-39 em amostras coletadas pela missão chinesa Chang’e 6 indica a evaporação de elementos voláteis logo após a colisão, ajudando a explicar por que a face que nunca vemos é tão distinta da que reflete para a Terra.
Chang’e 6 entrega a chave geoquímica do enigma
Liderada por Heng-Ci Tian, da Academia Chinesa de Ciências, a equipe analisou rochas basálticas trazidas da Bacia Polo Sul-Aitken, a cratera mais profunda da Lua. Nessas amostras, a concentração do isótopo pesado potássio-41 é muito maior que nas rochas da face visível. Como o isótopo leve potássio-39 evapora primeiro em temperaturas extremas, o desequilíbrio isotópico sugere um aquecimento violento — compatível apenas com um impacto de grande porte.
Os pesquisadores eliminaram outras hipóteses, como desgaste por raios cósmicos, atividade vulcânica local ou contaminação por meteoritos. Restou a explicação de que o choque que cavou a Bacia Polo Sul-Aitken aqueceu crosta e manto lunares a ponto de vaporizar parte do potássio, da água e de outros voláteis, deixando um “registro de evaporação” na rocha.
Consequências para a geologia e a aparência lunar
Essa perda de voláteis impediu futuras erupções vulcânicas intensas no lado oculto. Sem fluxos de lava para preencher crateras e criar os mares escuros (mares lunares) que vemos na face voltada para a Terra, o hemisfério afastado permaneceu mais áspero e cheio de crateras. O achado também reforça a utilidade da análise isotópica como “termômetro” de eventos antigos, oferecendo pistas sobre a temperatura e a escala de colisões em corpos do Sistema Solar.
Imagem: Shutterstock
Detalhes adicionais sobre a metodologia e o contexto da pesquisa podem ser conferidos no artigo completo divulgado pelo portal Space.com, referência internacional em ciência espacial.
Descobertas como essa mostram como a exploração lunar continua revelando segredos sobre a formação de mundos rochosos. Se você quer se manter atualizado sobre tecnologia, ciência e dicas de hardware para turbinar seu setup, visite nossa editoria de tecnologia e continue conosco.
Crédito da imagem: Olhar Digital Fonte: Olhar Digital


