A rivalidade entre China e Estados Unidos no desenvolvimento de inteligência artificial (IA) ganhou novo impulso após declarações recentes do CEO da Nvidia, Jensen Huang, que chegou a dizer que os chineses superariam os norte-americanos na área. Mesmo recuando no tom, a fala evidenciou a competição por capacidade de processamento e fontes de energia baratas para treinar modelos cada vez mais complexos.
Washington tenta conter o avanço chinês restringindo o acesso a semicondutores de última geração. Em resposta, Pequim acelerou investimentos para fortalecer a produção doméstica de chips e reduzir a dependência externa. Os primeiros resultados começam a aparecer.
Huawei ocupa espaço deixado pela Nvidia
A Huawei passou a fornecer soluções que antes eram quase exclusividade da Nvidia nos centros de dados chineses. O principal produto é o CloudMatrix 384, que interliga 384 chips Ascend 910C como alternativa ao sistema GB200 NVL72 da rival norte-americana.
Segundo a CNBC, essa configuração exige um número maior de chips para igualar o desempenho dos equipamentos da Nvidia, elevando o consumo elétrico. A desvantagem é compensada pela maior oferta de energia a baixo custo na China.
Energia barata como trunfo estratégico
Além de grandes parques solares e eólicos, o país vem expandindo rapidamente a capacidade nuclear, garantindo eletricidade a preços competitivos. “A China investiu maciçamente em fontes renováveis e pode recorrer a energia em conta para sustentar sua infraestrutura de IA”, afirmou Wendy Chang, analista sênior do Instituto Mercator de Estudos da China (MERICS).
Imagem: Tada s
Para acelerar a adoção de componentes locais, autoridades chinesas concedem subsídios que reduzem a conta de luz de data centers que utilizam chips nacionais. De acordo com Brady Wang, diretor associado da Counterpoint Research, mesmo que aceleradores menos avançados gastem mais energia, o país equilibra a conta com diversidade de fontes, financiamentos acessíveis e baixos valores de aluguel para erguer clusters de grande porte.
Na prática, a combinação de incentivos governamentais, chips domésticos e energia barata permite que a China mantenha ritmo competitivo na corrida global pela inteligência artificial, apesar das restrições impostas pelos Estados Unidos.
Com informações de Olhar Digital

