COP30 expõe impasse sobre fim dos combustíveis fósseis
COP30 encerrou a semana em Belém sem acordo definitivo após a retirada, do rascunho final, da meta para eliminar petróleo, gás e carvão, reacendendo tensões entre ciência, diplomacia e interesses econômicos.
Exclusão dos fósseis gera crise diplomática
A União Europeia e mais de 80 países ameaçam vetar o texto se a referência ao fim dos combustíveis fósseis não voltar. Cientistas como Paulo Artaxo, da USP, atribuem o retrocesso ao lobby da indústria de energia. Para Artaxo, o debate expôs “o elefante na sala” ignorado em quase todas as 29 edições anteriores.
Carlos Nobre, climatologista e copresidente do Painel Científico para a Amazônia, classifica a lacuna como “suicídio ecológico” caso o planeta alcance 2 °C de aquecimento. Ele defende zerar o uso dos fósseis até 2040 – 2045 para conter a crise climática.
Avanços parciais: fundos e metas de desmatamento
Apesar do impasse, a conferência aprovou aporte adicional de € 1 bilhão ao fundo TFFF (Florestas Tropicais para Sempre), elevando o montante a US$ 6 bilhões. Também avançou a criação de mecanismos de financiamento para transição energética em países em desenvolvimento, ainda longe da meta de US$ 1,3 trilhão anuais.
Nobre celebra a inclusão de metas para zerar o desmatamento até 2030 e regenerar florestas tropicais. Já Artaxo alerta: modelos indicam que, sem cortes drásticos, o Brasil pode enfrentar aumento médio de 4,5 °C, cenário crítico para regiões como Palmas e Cuiabá.
Imagem: DOERS
Em análise do portal G1, especialistas lembram que esta foi a primeira COP realizada em floresta tropical, com recorde de participação da sociedade civil e foco em saúde, seguros e povos indígenas.
Ao fim da conferência, o embaixador André Corrêa do Lago prometeu dedicar seu mandato de presidente da COP30 a recolocar a eliminação dos fósseis no centro das negociações.
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Crédito da imagem: DOERS / Shutterstock.com Fonte: Olhar Digital

