COP30 encerra sem acordo para eliminar combustíveis fósseis
COP30 terminou em Belém sem incluir na declaração final o roteiro proposto pelo Brasil para pôr fim ao uso de combustíveis fósseis, apesar do apoio de mais de 80 países.
Proposta brasileira esbarra no lobby do petróleo
O texto negociado até a madrugada de 22 de novembro enfrentou resistência liderada pela Arábia Saudita e outras nações produtoras de petróleo. A iniciativa brasileira pretendia zerar o consumo de petróleo, gás e carvão até 2040, com prazo máximo em 2045. Ao confirmar o impasse, o presidente da conferência, André Corrêa do Lago, declarou à CNN Brasil que o país continuará impulsionando o plano como programa independente.
O resultado contrasta com o discurso de abertura do presidente Lula, que convocou a comunidade internacional a “superar a era dos fósseis”. Especialistas, como o climatologista Carlos Nobre, classificaram a ausência do tema como “grande lacuna”, alertando que adiar a eliminação dos combustíveis fósseis pode levar o planeta a aquecer 2 °C até 2050.
Fundos florestais e energia limpa avançam, mas ficam aquém
Embora o principal objetivo tenha fracassado, houve progressos em financiamento climático. O fundo TFFF (Florestas Tropicais para Sempre) recebeu aporte adicional de € 1 bilhão da Alemanha, elevando o total a US$ 6 bilhões para apoiar países da Bacia do Congo, Sudeste Asiático e Amazônia. Já os mecanismos de transição energética ganharam reforço, mas ainda estão longe da meta de US$ 1,3 trilhão anuais necessários à adaptação global.
Imagem: Bruno Peres
Líderes da sociedade civil lembram que, sem metas vinculantes para reduzir petróleo, gás e carvão, investimentos verdes podem não ser suficientes para conter a crise climática e suas consequências socioeconômicas.
Apesar de avanços paralelos, a COP30 expôs mais uma vez o peso do lobby fóssil nas negociações. Para acompanhar outras análises sobre sustentabilidade e tecnologia e descobrir como essas decisões impactam seu setup de trabalho ou jogo, visite nossa página inicial.
Crédito da imagem: Agência Brasil Fonte: Agência Brasil

