John Carmack critica falta de otimização de software
John Carmack, lenda da programação e cocriador de Doom, voltou a apontar o dedo para a indústria: segundo o engenheiro, boa parte dos serviços e jogos modernos continuaria rodando em hardware antigo se o setor priorizasse a verdadeira otimização de software.
Experimento mental expõe dependência de novos chips
A discussão começou após a pesquisadora do Google Laurie Voss publicar no X (antigo Twitter) um cenário fictício: “e se a humanidade esquecesse como fabricar processadores a partir de amanhã?”. Carmack entrou no debate e levou a hipótese a sério, lembrando que muitos sistemas atuais são inflados e mal ajustados. Para ele, se o desenvolvimento fosse mais enxuto, computadores de gerações passadas sustentariam grande parte das tarefas diárias — de navegar na web a rodar jogos em taxas de quadros (FPS) aceitáveis.
Custo de PCs e consoles dispara por ineficiência
O alerta chega em um momento sensível. Desde a pandemia, uma GPU topo de linha da NVIDIA triplicou de preço e jogos de “próxima geração” passam de US$ 90. Carmack argumenta que esses valores altos refletem um ciclo vicioso: softwares cada vez mais pesados exigem hardware mais robusto, o que força trocas constantes de máquina e alimenta a obsolescência acelerada. Mesmo sistemas operacionais: o Windows 11 pede no mínimo 4 GB de RAM, quando versões otimizadas poderiam funcionar com bem menos.
Mercado clandestino de CPUs e “regresso aos anos 80”
No exercício de Voss, a produção de chips some, os preços explodem e um mercado paralelo de processadores surge, com Xeons valendo mais do que ouro. Carmack concorda que o colapso seria impulsionado pela ineficiência atual; em poucas décadas, apenas máquinas robustas dos anos 1990 sobreviveriam, levando a sociedade a um nível tecnológico dos anos 1980. O programador reforça que, se a otimização fosse prioridade hoje, essa regressão poderia ser evitada.
Otimize ou pague mais caro: o recado de Carmack
Para o engenheiro, o caminho é simples: reduzir camadas de abstração, enxugar código e explorar melhor os recursos já existentes. Um exemplo citado em fóruns técnicos é a migração de serviços baseados em dezenas de micro-services interpretados para código nativo mais leve, algo defendido em reportagens da Tom’s Hardware. Além de prolongar a vida útil dos PCs, essa mudança traria alívio imediato ao bolso dos gamers e profissionais de home office.
Imagem: William R
Carmack admite que o mercado dificilmente mudará de rota no curto prazo, pois vender potência gera lucro. Ainda assim, ele conclui: “se a competição focasse em eficiência, não em números brutos, o consumidor ganharia — e o planeta também”.
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Crédito da imagem: Hardware.com.br Fonte: Hardware.com.br



