A sigla NASA costuma ser usada como sinônimo de computadores domésticos de alto desempenho, mas a agência espacial norte-americana trabalha, na prática, com supercomputadores instalados em centros de pesquisa dedicados. Esses sistemas reúnem milhões de núcleos de processamento, centenas de terabytes de memória e desempenho que chega a dezenas de petaflops, patamar inalcançável por PCs voltados a jogos.
Onde ficam os computadores da agência
Os principais polos de computação da NASA são o NASA Advanced Supercomputing (NAS) Facility, no Ames Research Center, Califórnia, e o NASA Center for Climate Simulation (NCCS), em Greenbelt, Maryland. Nas duas instalações, clusters HPC somam mais de 90 petabytes de armazenamento online e ultrapassam 1 exabyte de dados arquivados.
Sistemas em operação
Entre os supercomputadores em uso destacam-se:
- Pleiades – mais de 228 mil núcleos, quase 1 PB de RAM e capacidade de 7 petaflops.
- Aitken – voltado a testes de voo e aerodinâmica, alcança 15,6 petaflops distribuídos em cerca de 370 mil núcleos.
- Electra, Discover e o recém-instalado Cabeus – este último combina 25,2 mil núcleos AMD Epyc e cerca de 2,9 milhões de núcleos em GPUs NVIDIA A100/H100, atingindo 20,67 petaflops teóricos.
Todos os sistemas são interligados por redes InfiniBand e Ethernet de altíssima velocidade e operam com distribuições Linux otimizadas para cálculos científicos.
Aplicações científicas
As máquinas executam simulações climáticas, cálculos de órbita, modelagem de aeronaves, pesquisas em astrofísica e desenvolvimento de tecnologia espacial. Projetos como o ECCO2, que estuda a circulação dos oceanos, e estudos sobre a atmosfera de Marte dependem diretamente desse poder computacional.
Comparação com um PC doméstico
Um computador pessoal de elite – equipado, por exemplo, com processador Intel Core i9-14900K, placa NVIDIA RTX 5090, 128 GB de RAM e SSD NVMe de 4 TB – custa entre US$ 3 mil e US$ 5 mil e atinge cerca de 0,1 petaflop teórico. Já o cluster Cabeus passa de 20 petaflops e demanda investimento superior a US$ 50 milhões, além de infraestrutura de resfriamento líquido e energia dedicada.
Imagem: Internet
Posição nos rankings
Apesar do desempenho expressivo, os supercomputadores da NASA não figuram entre os líderes absolutos do ranking TOP500, dominado atualmente por sistemas como El Capitan, Frontier e Aurora – todos acima de 1 exaflop. A agência privilegia estabilidade e precisão em longas simulações, critérios considerados mais importantes do que recordes de velocidade.
Assim, a popular expressão “PC da NASA” permanece apenas como gíria para equipamentos gamers de alto nível; na realidade, as missões espaciais dependem de clusters científicos de grande escala, projetados para cálculos que nenhum computador doméstico conseguiria realizar.
Com informações de Adrenaline

