Praticar exercícios físicos provoca uma série de reações simultâneas em sistemas como o cardiovascular, o pulmonar e o muscular, responsáveis por manter o organismo em funcionamento. Entender essas mudanças ajuda a explicar por que o hábito de se mover é apontado por especialistas como peça central para a saúde física e mental.
Atividade física x exercício físico
Nem todo movimento conta como exercício. Atividade física refere-se a qualquer ação voluntária que eleva o gasto energético acima do repouso – por exemplo, limpar a casa ou subir escadas. Exercício físico, por sua vez, é planejado, estruturado e possui meta definida, como ganhar massa magra, aumentar flexibilidade ou emagrecer. Caminhada, corrida, natação e musculação são alguns exemplos.
Primeiros minutos: mais oxigênio e dopamina
Mesmo em repouso o corpo consome calorias para funções básicas – o chamado metabolismo basal. Ao iniciar uma caminhada, a demanda celular por energia sobe e o organismo precisa de mais oxigênio. Em cerca de 20 minutos, o cérebro libera dopamina, neurotransmissor ligado à sensação de bem-estar e ao controle motor.
Neurotransmissores e hormônios em ação
No decorrer do treino, endorfina e serotonina também são produzidas, prolongando o prazer após o término da atividade. Exercícios intensos estimulam ainda as glândulas suprarrenais, que secretam hormônios capazes de mobilizar glicose e ácidos graxos para gerar energia.
Diversos hormônios participam desse processo:
Irisina – liberada pelos músculos, acelera o gasto energético e o metabolismo de gorduras.
GH – fabricado na hipófise, favorece a formação de novas fibras musculares e auxilia na queima de gordura.
Adrenalina – coloca o cérebro em alerta e eleva a frequência cardíaca.
Glucagon – impede quedas perigosas da glicose no sangue.
Cortisol – ajuda a controlar o estresse e preserva a função muscular.
Benefícios de curto e longo prazo
Entre os efeitos comprovados estão a redução do estresse, a melhora da qualidade do sono e a contribuição para o tratamento ou prevenção de ansiedade e depressão. Do ponto de vista cardiovascular, o exercício ajuda a manter pressão arterial e perfil lipídico dentro de níveis seguros, além de auxiliar no controle do peso e do diabetes mellitus. Também preserva a densidade óssea em idosos.
Imagem: Drazen Zigic
Quanto praticar?
O Guia de Atividade Física para a População Brasileira recomenda ao menos 150 minutos semanais de exercício moderado, como caminhada, ou 75 minutos de esforço vigoroso, que eleve significativamente a frequência cardíaca. Em dois dias da semana devem ser incluídas atividades de fortalecimento muscular, como musculação ou exercícios com o peso do corpo.
Para quem tem agenda apertada, especialistas enfatizam que a regularidade, mesmo com sessões curtas, é mais importante do que buscar metas altas ocasionalmente. Uma simples caminhada pode ser o primeiro passo para abandonar o sedentarismo.
As orientações contidas nesta reportagem possuem caráter informativo e não substituem a avaliação de profissionais de saúde. Em caso de dúvidas, consulte um médico ou especialista.
Com informações de Olhar Digital

