Pesquisadores da Universidade da Califórnia em San Diego (UC San Diego), Estados Unidos, desenvolveram um método capaz de fabricar grandes volumes de xantomatina, pigmento natural que permite a polvos, lulas e chocos mudarem de cor para se misturar ao ambiente.
Segundo o estudo, publicado na revista Nature Biotechnology em 10 de novembro de 2025, a nova técnica gera até mil vezes mais xantomatina do que os processos laboratoriais tradicionais. A equipe introduziu o gene responsável pelo composto em uma bactéria e vinculou a produção da substância à própria sobrevivência do microrganismo, estratégia que os autores chamam de “biossíntese acoplada ao crescimento”.
“Desenvolvemos uma forma de acelerar a produção de xantomatina em uma bactéria pela primeira vez”, afirmou o químico marinho Bradley Moore, autor sênior do trabalho. Para Leah Bushin, principal autora, o resultado só foi possível porque as bactérias foram “enganadas” para direcionar recursos ao pigmento.
A abordagem supera a baixa eficiência da extração direta do pigmento nos animais e dispensa rotas químicas de baixo rendimento. De acordo com o coautor Adam Feist, o método sinaliza um futuro em que a biologia pode oferecer alternativas sustentáveis a materiais derivados de combustíveis fósseis.
Aplicações potenciais
Os pesquisadores destacam que a xantomatina biossintética pode ser empregada em dispositivos fotoeletrônicos, revestimentos térmicos, corantes, filtros solares naturais, tintas que mudam de cor e sensores ambientais. O Departamento de Defesa dos EUA demonstrou interesse no material para explorar suas propriedades de camuflagem, enquanto empresas de cosméticos estudam seu uso em protetores UV.
Imagem: UC San Diego
O projeto recebeu financiamento dos Institutos Nacionais de Saúde (NIH), do Escritório de Pesquisa Naval (ONR), da Fundação Nacional de Ciência Suíça e da Fundação Novo Nordisk.
Com informações de Olhar Digital

