A Harvey, plataforma de inteligência artificial voltada a serviços jurídicos, tornou-se um dos negócios mais disputados do Vale do Silício. A avaliação da companhia, sediada em São Francisco, saltou de US$ 3 bilhões em fevereiro de 2025 para US$ 5 bilhões em junho e chegou a US$ 8 bilhões em outubro, impulsionada por rodadas que contaram com OpenAI Startup Fund, Sequoia Capital, Kleiner Perkins, Google Ventures, Coatue e, mais recentemente, Andreessen Horowitz.
Fundada em 2022 pelo ex-associado do escritório O’Melveny & Myers Winston Weinberg e pelo engenheiro Gabe Pereyra, a startup afirma ter 235 clientes em 63 países, incluindo a maioria dos 10 maiores escritórios de advocacia dos Estados Unidos. Em agosto, a Harvey superou a marca de US$ 100 milhões em receita anual recorrente (ARR).
Origem ligada a um e-mail frio
Segundo Weinberg, o ponto de virada ocorreu após um e-mail enviado a Sam Altman e ao então diretor jurídico da OpenAI, Jason Kwon, em 4 de julho de 2023. O contato rendeu o primeiro cheque institucional do OpenAI Startup Fund e apresentou a dupla a investidores-anjo como Sarah Guo e Elad Gil.
Estratégia de crescimento
Com cerca de 400 funcionários, a empresa opera em mais de 60 países e precisa manter instâncias de nuvem locais para cumprir legislações de residência de dados, especialmente em mercados como Alemanha e Austrália. Esse requisito eleva os custos de computação, mas, segundo o CEO, as margens por token permanecem saudáveis.
No início de 2025, apenas 4% da receita vinha de departamentos jurídicos corporativos; hoje, essa fatia é de 33%, e a expectativa é chegar a 40% até dezembro. Grandes bancas que já utilizam a ferramenta, como Latham & Watkins, ajudam a apresentá-la a clientes empresariais, acelerando a adoção.
Produto e modelo de negócios
Os principais usos da plataforma são redação de documentos, pesquisa jurídica (reforçada por parceria com a LexisNexis) e análise de grandes volumes de arquivos em diligências ou discovery. O modelo de cobrança é majoritariamente por assento, mas a companhia planeja introduzir preços baseados em resultado para fluxos específicos.
Imagem: Internet
Weinberg rebate críticas de que o serviço seria apenas uma interface para o ChatGPT. Ele aponta como diferenciais a grande quantidade de dados de fluxo de trabalho coletados e o desenvolvimento de uma solução “multiplayer” que permita colaboração segura entre equipes internas e escritórios externos, respeitando barreiras éticas e permissões de dados. A primeira versão em larga escala desse módulo está prevista para dezembro.
Próximos passos
Apesar da ascensão meteórica, a Harvey não pretende buscar novas rodadas de financiamento robustas no curto prazo. O executivo afirma que os recursos já captados cobrem planos de pesquisa intensivos em computação, enquanto a abertura de capital é considerada apenas para o longo prazo.
Com informações de TechCrunch

