Satélites espiões dos EUA emitem sinais irregulares
Satélites espiões dos EUA construídos pela SpaceX para o Escritório Nacional de Reconhecimento (NRO) passaram a transmitir na direção oposta à prevista, ocupando a faixa de 2025 a 2110 MHz e provocando um alerta internacional sobre possíveis interferências e falhas de coordenação.
Descoberta e alcance do sinal
O engenheiro e astrônomo amador Scott Tilley identificou o comportamento atípico no fim de setembro, enquanto monitorava outra missão. Ele detectou emissões em 171 dos 193 satélites já catalogados na constelação Starshield, cobrindo Canadá, Estados Unidos e México. Por ser uma rede global, o efeito pode atingir outras regiões do planeta.
A largura de banda observada chega a 9 MHz, com razão sinal-ruído entre 10 e 20 dB — suficiente para ser captada até por pequenas estações terrestres. Essa potência preocupa porque a faixa 2025-2110 MHz é reservada a comunicações Terra-espaço de agências como NASA, NOAA e emissoras de TV.
Por que a anomalia preocupa
Segundo especialistas consultados pelo ArsTechnica, transmitir “na direção errada” viola o princípio de previsibilidade do espectro definido pela União Internacional de Telecomunicações (UIT). Ainda que não haja reclamações formais de interferência, a ausência de coordenação oficial com outros países amplia o risco de choques eletromagnéticos e tensões diplomáticas.
Autoridades canadenses confirmaram não ter sido notificadas previamente, enquanto agências europeias lembram que qualquer operação fora da alocação original exige comprovar compatibilidade. Além disso, o registro do Starshield na ONU é vago e não cita uso militar, contrariando o espírito de transparência dos acordos espaciais.
Imagem: dimazel
Analistas sugerem que a SpaceX funciona apenas como operadora técnica; quem define parâmetros é o NRO, órgão de inteligência dos EUA. A empresa, no entanto, não comentou o episódio.
O caso reforça o debate sobre grandes constelações militares e o impacto que transmissões não coordenadas podem ter em comunicações críticas — tema que interessa não apenas a governos, mas também a profissionais de tecnologia, gamers e streamers que dependem de conexões estáveis para alto desempenho.
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Crédito da imagem: Olhar Digital Fonte: Olhar Digital

