A Carbon Direct, especializada em gestão de carbono, anunciou nesta segunda-feira, 10 de novembro de 2025, a aquisição da Pachama, startup focada em créditos de carbono baseados na preservação e restauração de florestas.
Pachama passou por um corte de cerca de 20 funcionários no último verão, após a desaceleração dos mercados voluntários de carbono. A empresa havia atraído aportes de nomes como o Climate Pledge da Amazon, Breakthrough Energy Ventures, Lowercarbon Capital e investidores famosos como Ellen DeGeneres, Laura Dern e Serena Williams.
“O ambiente financeiro, econômico e geopolítico incerto, somado à agenda anti-ESG nos Estados Unidos, está afetando os orçamentos corporativos de sustentabilidade”, afirmou na época dos desligamentos o CEO da Pachama, Diego Saez Gil, ao portal Trellis. Segundo ele, o impacto é mais forte justamente no mercado voluntário, que vive um “momento de correção”.
De acordo com a PitchBook, a Pachama levantou US$ 88 milhões desde sua fundação, enquanto a Carbon Direct captou US$ 60,8 milhões. Os valores da transação não foram divulgados.
A operação une duas abordagens distintas. A Pachama fornecia créditos gerados pela proteção de florestas, frequentemente questionados por críticos que apontam dificuldade em comprovar se as áreas estariam realmente sob risco de desmatamento. Já a Carbon Direct atua como consultoria e contabilidade de carbono: ajuda empresas a medir emissões, elaborar relatórios e selecionar créditos para compensação.
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O mercado de créditos de carbono enfrenta incertezas há alguns anos. Em 2023, uma investigação do jornal britânico The Guardian indicou que mais de 90% dos créditos emitidos por um verificador não resultaram em redução efetiva de emissões. Embora muitas companhias tenham reduzido a exposição pública de metas ESG, várias mantêm compromissos de neutralidade climática. Entre os clientes da Carbon Direct estão Microsoft, Shopify, American Express, JP Morgan, Alaska Airlines e BlackRock.
Com informações de TechCrunch

